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O ar condicionado da sede da DiamondCorp em Kampala zumbia como um enxame de abelhas irritadas. Enzo, sentado diante das planilhas, sentia o suor escorrer pela nuca. Vinte e um anos, pele de leite queimando sob o sol africano, e as cifras dançavam diante dele – cifras que poderiam ser *suas*. O primeiro desvio foi pequeno, quase um acidente. O décimo já tinha endereço certo: uma conta nas Ilhas Cayman.
Três meses depois, a porta do escritório panorâmico se abriu sem bater. Mr. Tyrone, com seu terno de linho impecável e olhos frios como pedra polida, entrou. Não precisou dizer uma palavra. Enzo sentiu o chão desaparecer.
"Em Uganda, menino", a voz de Tyrone cortou o silêncio como um facão, "fraude dessa magnitude tem dois fins: prisão perpétua num buraco onde esquecerão seu nome... ou uma vala rasa."
Enzo engasgou, desesperado. "Por favor, sir! Eu devolvo tudo! Faço qualquer coisa!"
O sorriso que se esticou nos lábios finos de Tyrone não chegou aos olhos. "Sempre quis uma secretária branca", murmurou, os dedos batendo uma valsa lenta na mesa de ébano. "Daquelas antigas. Elegante. Submissa."
***
A primeira caixa chegou embrulhada em seda negra. Dentro, calcinhas de cetim cor de pérola que Enzo – agora Bianca – teve de vestir com dedos trêmulos. As meias sete-oitavos escorregavam nas pernas depiladas, a cinta-liga prendendo-as com ganchos frios. Os saltos agulha de 12 cm transformaram seus passos num balé dolorido.
"Mais quadril, menina", Tyrone corrigia, a palma quente no arco das costas dela empurrando-a para frente.
As mudanças vieram como uma avalanche: extensões loiras platinadas enroladas em caracóis perfeitos, brincos de argola que puxavam os lóbulos, unhas compridas pintadas de vermelho-sangue. O collageno nos lábios inchou-os num pêssego artificial. Os hormônios, injetados por uma enfermeira de olhar vazio, começaram a amolecer seus contornos, a pele ficando macia como pétala.
Na empresa, Bianca caminhava com a cabeça baixa. As saias justas de tweed rosa balançavam acima do joelho, o sutiã "tomara que caia" deixando os mamilos endurecidos visíveis sob a blusa de chiffon transparente. Os funcionários desviavam os olhos. Todos sabiam. Ninguém respirava.
***
O primeiro castigo veio por um café derramado. Tyrone sentou-se pesadamente na poltrona de couro. "Sobre os joelhos. Agora."
Bianca dobrou-se como um origami quebrado, o cetim da calcinha esticando sobre as nádegas. A primeira palmada ecoou como um tiro. Ela gritou – um som agudo, feminino que a surpreendeu.
"Conta", ordenou Tyrone, a mão levantando novamente.
*Ssssssssssssssssst-CRACK!*
"U-Um!"
*CRACK!*
"Dois!"
A régua de madeira veio depois, listrando a pele com linhas vermelhas. O cinto, de couro envernizado, arrancou soluços que pareciam rasgar sua garganta. Quando terminou, Bianca tremia como uma varinha de salgueiro.
"Agradeça", sussurrou Tyrone, abrindo as pernas. O zíper desceu. O cheiro acre de virilidade e poder encheu o ar. Bianca engoliu o choro, ajoelhando-se. Os brincos balançaram quando ela inclinou a cabeça. A primeira lambida na cabeça inchada fez Tyrone suspirar. Ela beijou o comprimento pulsante, deixando marcas de batom como selos de propriedade. As bolas pesadas encheram sua mão, a língua explorando o saco escrotal salgado enquanto ela sugava com devoção forjada no terror.
***
Quatro anos depois, o escritório ganhou um novo quadro: o certificado de casamento. Bianca, de véu e vestido de renda obscenamente decotado, sorria com lábios inchados sob as lentes do fotógrafo. Tyrone, ao seu lado, segurava sua cintura com possessividade férrea.
Na mansão às margens do Lago Victoria, Bianca aprendeu novos deveres. De joelhos no tapete persa, ela engolia o mastro negro do marido até as bolas baterem em seu queixo, os dedos dele enrodilhados em seus caracóis loiros. À noite, de bruços sobre lençóis de seda, ela oferecia as nádegas ainda marcadas pelo último castigo – agora um ritual íntimo. Tyrone entrava nela com um grunhido, as mãos cravadas em seus quadris, enquanto Bianca enterrava o rosto no travesseiro, gemendo alto o suficiente para os criados ouvirem.
As algemas de veludo, os vibradores controlados remotamente durante jantares de gala, as sessões fotográficas onde posava como um troféu vivo – tudo era melhor que a cela úmida que a aguardaria. Bianca beijava o anel de Tyrone cada manhã, os olhos baixos. No fundo, sob camadas de silicone e submissão, um pensamento latejava como um coração enterrado vivo: *Estou viva. E isso é tudo.*
As palmas ainda ecoavam no escritório quando ela errava uma vírgula. Mas agora, quando se ajoelhava para agradecer a "lição", Bianca abria o zíper mais rápido. O sabor do poder de Tyrone era amargo. Mas era o sabor da liberdade.
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